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Tecnologias Dinâmicas para a Internet

Blogs dos alunos da UC de TDI do MCMM/DeCA/UA

Mobile Learning: realidade ou utopia?

Resumo

A evolução da tecnologia tem garantido a produção de dispositivos móveis mais pequenos e poderosos. De entre estes dispositivos, destaque para os smartphones e os tablets, que pela facilidade no seu uso e potencialidades têm ganho cada vez mais apoiantes. Assim, o mercado dos tablets avança em passos galopantes, começando já a surgir experiências da sua utilização em contexto educativo. Da sua utilização em sala de aula para a era do mobile learning poderão ser “dois passos”, sendo no entanto necessário reeducar alguns docentes e alunos e modificar o paradigma comum de ensino. Serão a tecnologia mobile e o ensino dois polos que poderão unir-se e fortalecer-se, num futuro próximo?


O mundo e a sociedade atual têm presenciado a grande evolução que as novas tecnologias têm vindo a evidenciar. Este desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação tem vindo a transformar não só a nossa forma de comunicar, mas também de comprar e até de trabalhar. Além destas alterações, o desenvolvimento das TIC veio trazer igualmente a criação de novas oportunidades de mercado e previsíveis alterações no sistema de ensino e aprendizagem.

O fruto mais visível desta evolução tecnológica é claramente a produção de dispositivos cada vez mais pequenos e dotados de grandes potencialidades. Estes dispositivos, cada vez melhores, têm provocado um grande impacto não só em atividades pessoais como profissionais. (Alvarez, Brown, & Nussbaum, 2011) Assim, o acesso a smartphones e a tablets tem crescido de uma forma muito acentuada nos últimos tempos, em contraponto com a queda na venda dos PC (ver link). Desta forma, não deixa de ser importante frisar que várias empresas têm enveredado pela produção de tablets, quando na sua génese esse não era o seu objetivo. Veja-se o caso da Nokia, grande impulsionadora do negócio dos telemóveis e dos smartphones, que com o lançamento do tablet Lumia 2520 abriu portas a novos mercados. Este é apenas um exemplo que vem justificar o impulsionamento do mercado da tecnologia dos tablets.

 

Mobile Learning_Tag

As transformações tecnológicas promovidas nos dias de hoje vêm também ao encontro de uma sociedade cada vez mais digitalizada, cada vez mais próxima do mundo mobile, não só para efetuar as suas leituras, como guardar as fotografias, os seus vídeos, efetuar as suas compras e na maioria das vezes comunicar com os outros. Agora, segundo Jeff Bullas,o aquecimento global ameaça-nos cada vez mais, pelo que a era dos livros digitais e demais documentos na palma das nossas mãos não é mais do que uma belíssima proposta ecológica. É assim que se pode considerar o avanço tecnológico como algo igualmente sustentável, que apresenta inclusive boas soluções ecológicas. Além de questões ecológicas, convém também não esquecer outras mais-valias que advêm do uso dos dispositivos móveis, como a sua portabilidade, a participação colaborativa em atividades e a capacidade de armazenamento. 

 A aposta no mercado das aplicações móveis tem-se acentuado nos últimos anos, como se comprova pelo volume de aplicações disponíveis em lojas como a Play Store e a Apple Store. O acréscimo de aplicações vem demonstrar a valorização deste tipo de produto, na medida em que em termos comerciais e de promoção de uma marca, o mercado mobile tem-se apresentado como uma boa solução.

O uso de soluções mobile começa também a ganhar o seu espaço no que respeita ao mundo do ensino/educação, onde surge já uma preocupação na produção de produtos que venham a servir não só professores como também alunos. Destacam-se, neste campo, aplicações como Mathboard (aplicativo para aprendizagem de matemática no iPad, iPhone ou iPod touch), Pages (um processador de texto avançado que oferece tudo o que é preciso para criar documentos), Istudiez Pro (aplicativo de gestão e organização da vida académica dos alunos) e ainda o Teacher Pal (aplicativo para Android ou iPhone que garante aos professores a organização das suas aulas e ainda das turmas em que lecionam). Os aplicativos mencionados são apenas alguns dos muitos exemplos que podem ser dados no que respeita à entrada dos dispositivos móveis em ambientes educativos.

A presença do tablet e quem sabe do smartphone nas salas de aula ou em ambientes colaborativos poderá trazer assim um novo mundo, uma nova estrutura ao nível da organização de aulas e futuramente poderá trazer grandes impactos a nível financeiro, revolucionando o mercado da venda de livros, o mundo do vídeo e da partilha de documentos.

Uma vez que são os jovens um dos melhores públicos-alvo das empresas produtoras de smartphones e tablets, não surpreendem algumas das opções de mercado tomadas por empresas como, por exemplo, a Intel, que já em 2012 lançou um tablet destinado a estudantes, o Studybook. Igualmente em 2012, a empresa indiana Datawind lançou o tablet Aakash 2 (ver link), destinado igualmente ao público estudantil. Por fim, mais recentemente, a Intel voltou a lançar uma nova gama de tablets educativos (ver link), procurando, com os seus dispositivos e software, envolver os alunos e professores no processo de ensino e aprendizagem, tentando desta forma motivá-los para a utilização das tecnologias em ambiente educativo.

Quem sabe se este não poderá ser um grande marco no que respeita ao ensino, na medida em que são vários já os exemplos de escolas que começam a enveredar por um ensino apoiado na utilização do tablet em contexto de sala de aula. Já começaram a ser testadas algumas experiências em escolas a nível internacional, como é o caso da Escola Pública de Arkansas, nos Estados Unidos da América, que com o recurso a uma rede global e incentivando o uso de dispositivos móveis, tem tentado reforçar os elos de ligação entre alunos e escola, permitindo deste modo uma maior motivação destes para o ensino. (ver link)  

Deste modo, cabe aqui abordar um conceito que poderá vir a "ganhar raízes" em vários países, o chamado Mobile Learning. O mobile learning pode ser entendido como uma forma de percecionar, adquirir conhecimento com recurso a tecnologias móveis, como o tablet, smartphone ou iPod’s. No entanto, esta pode ser encarada como uma definição muito simples e centrada apenas no foco da tecnologia. Vários autores falam da necessidade de se obter uma definição mais abrangente, que não esqueça o foco do ensino, o aluno, pois o dispositivo móvel sozinho não teria grande fundamento. Efetivamente este conceito de mobile aplicado ao ensino leva-nos para duas realidades distintas: por um lado garante a possibilidade do discente poder adquirir competências em diversos espaços, fazendo-se acompanhar da informação a qualquer momento; por outro, garante uma mobilidade temporal muito interessante, pois a aquisição de conteúdos anteriores podem sempre ser colocados em prática noutros momentos da sua vida, recorrendo a dispositivos móveis de fácil acesso. Assim, crê-se que esta portabilidade de conhecimento seja uma enorme mais-valia para o estudante, a curto e a médio prazo. O próprio mobile learning não poderá ser encarado só como uma nova perspetiva de ensino à distância ou com recurso a dispositivos menos comuns na sala de aula, mas sim como um ensino visto numa perspetiva de maior interação com o meio envolvente ao aluno, com novas diretrizes e com ambientes virtuais mais propícios à aquisição de novos conhecimentos.

Além da perspetiva de ensino, o mobile learning movimentará muitas realidades, desde o mundo das aplicações até à perspetiva educacional vigente no país. 

Mobile Learning

Uma das tecnologias mais recentes associadas ao ensino é o tablet. Conforme já referido anteriormente, desde aplicações pensadas para dispositivos móveis até tablets desenhados e equipados com software específico para alunos, começam a surgir muitos projetos que conjugam dois fatores que inicialmente não seriam perspetivados: escola e dispositivos móveis.

Como exemplo desta simbiose, veja-se a título exemplificativo a inovação da empresa BIC, a mostrar um tablet adaptado aos professores e aos estudantes da escola primária (ver vídeo).

A oportunidade de se desencadear/propiciar uma aprendizagem mais dedicada, recorrendo a materiais interativos, dando ao aluno a possibilidade de resolver as suas tarefas com recurso ao tablet, permite também ao professor poder acompanhar a evolução do aluno “in loco”, assim como fazer-se acompanhar para casa do material criado pelo aluno. Com o recurso a uma ferramenta bem pensada e com uma “caneta” tipo notebook, alunos e professores têm ao seu dispor uma nova realidade de ensino e aprendizagem. Além destas vantagens, não poderá ser esquecida a facilidade de transporte dos materiais da aula, o armazenamento de dados num servidor fornecido pela BIC, bem como a pedagogia colaborativa e participativa que este dispositivo garante, em contexto de sala de aula. Esta solução tecnológica, testada em escolas primárias de França, revelam uma visão de futuro da parte da INTEL, produtora do tablet, e da BIC, empresa inspiradora e impulsionadora da ideia. Pode assim pensar-se se não será este o caminho ideal a ser tomado pelas grandes empresas produtoras de dispositivos móveis, vendo a possibilidade de grandes negócios nesta área. 

Cá no nosso país, tal como lá fora, já começam a surgir estas novas ideias, no entanto ainda com uma visão algo apreensiva, pois sempre se considera o tablet apenas como um aliado do ensino. Assim, de uma cooperação entre o Grupo Leya, a Samsung e o Ministério da Educação, “cresceu” a primeira “sala de aula inteligente” ou Smart School (ver site), onde o tablet será usado como ferramenta de trabalho nas aulas do 1.º ciclo. Aqui, as funções deste dispositivo passam pela realização de exercícios, leitura de textos e visionamento de vídeos, tudo em interação com a professora. Convém, no entanto frisar que esta novidade não deixa de lembrar que o centro da questão está nos conteúdos e nos ensinamentos do mesmo.  

Dos dados referidos, parece evidente que o uso de tecnologias móveis e sua aplicação ao ensino é efetivamente um campo de pesquisa e de trabalho tido como emergente. Efetivamente, vive-se em plena sociedade do conhecimento mobile, onde grande parte dos cidadãos tem nas suas mãos uma parte das suas vidas, pelo que desde muito jovens que vamos ficando cada vez mais sensíveis ao uso de smartphone e tablets. A facilidade no uso destes dispositivos é tanta que até os mais “analfabetos” da Etiópia aprenderam com relativa facilidade a utilizar este tipo de dispositivos, muito graças à descoberta autónoma. (ver link)

President-Kagame-Nicholas-Negroponte

Deste modo, é crível que o seu poder junto dos estudantes seja muito grande, podendo assim garantir novas perspetivas de ensino, permitindo aos seus utilizadores a criação de experiências motivadores, multidisciplinares e enriquecedoras. Este tipo de utilizadores poderão ser inclusive criadores de conhecimento, podendo deste modo entrar-se numa nova fase de ensino, o mobile learning colaborativo. No entanto, será por certo fundamental que este avanço tecnológico e comunicacional, que se vem acentuando, não leve a que a tecnologia seja vista como prioridade número um, ignorando-se assim os conceitos, métodos e técnicas pedagógicas. Apresenta-se, assim, como um desafio do futuro, a criação de uma simbiose entre tecnologia e pedagogia, de onde todos os professores e alunos possam tirar os melhores dividendos.


Referências

Alvarez, C., Brown, C., & Nussbaum, M. (2011). Comparative study of netbooks and tablet PCs for fostering face-to-face collaborative learning. Computers in Human Behavior, 27(2), 834–844. Disponível em http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0747563210003511

BIC® Education. (2012). La solution BIC® Education. Acedido a 11 jan. 2014. Disponível em http://www.bic-education.com/page/education

Bullas, J. (2011, abr. 24). 29 Statistics Reveal How The Apple’s iPad Is Changing Our Lives [post]. Disponível em http://www.jeffbullas.com/2011/04/04/29-statistics-reveal-how-the-apples-ipad-is-changing-our-lives/

E Campus News: technology News for Today’s Higher-Ed Leader. (2012). NWACC uses technology to serve its “customers” better. Acedido a 11 jan. 2014. Disponível em http://www.ecampusnews.com/top-news/nwacc-uses-technology-to-serve-its-customers-better/

Equipa Intel Brasil. (2013, nov. 9). Intel lança no Brasil novos tablets educacionais com sistema Android [post]. Disponível em http://newsroom.intel.com/community/pt_br/blog/2013/11/09/intel-lança-no-brasil-novos-tablets-educacionais-com-sistema-android

Pereira, J. P. (2014, jan. 10). Queda de vendas dos PC mostra transição para nova fase de computação pessoal. Público. Disponível em http://www.publico.pt/tecnologia/noticia/queda-dos-pc-mostra-a-transicao-para-uma-nova-fase-de-computacao-pessoal-1619211

Pinto, M. (2012, dez. 5). Etiópia: Crianças hackeiam tablets Android …. Peopleware. [post]. Disponível em http://pplware.sapo.pt/pessoal/curiosidades/etiopia-criancas-hackeiam-tablets-android/

Sanches, A. (2014, jan. 8). Crato foi apresentar “a sala de aula inteligente”, mas “não há nada que substitua o professor.” Público. Disponível em http://www.publico.pt/sociedade/noticia/crato-foi-apresentar-a-sala-de-aula-inteligente-mas-nao-ha-nada-que-substitua-o-professor-1618893

Vedor, L. (2012, nov. 13). Índia lança tablet Aakash 2 para os estudantes. PC Guia. Disponível em http://www.pcguia.pt/2012/11/13/india-lanca-tablet-aakash-2-para-os-estudantes/#top-menu-wrapper

Referências das imagens

http://pplware.sapo.pt/pessoal/curiosidades/etiopia-criancas-hackeiam-tablets-android/

http://www.onlinecultus.com/abc-on-m-learning/

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